O que é percepção?

Percepção é o mecanismo da mente que confirma o universo dual. 

Quando a mente se percebe "separada" de Deus, faz nascer todo um universo de sensações e pontos de vista. Assim, surgem cores, formas, sons, sabores, aromas, texturas, além das interpretações de positivo e negativo. 

Esse imenso universo, que não passa de uma ilusão da mente, parece bastante real. Ele sedimenta a noção de individualidade: vamos agir para evitar estímulos negativos e favorecer estímulos positivos, sempre considerando os pontos de vista de nosso próprio ego. 

Em princípio, a percepção poderia servir como uma espécie de armadilha, que nos manteria para sempre presos às ilusões. No entanto, o Curso nos mostra como podemos entregar nossa percepção ao Espírito Santo. Ele é o Guia que nos ensina a ressignificá-la com propósito santo.

O campo da percepção sempre se voltará para experiências passageiras, portanto ilusórias. Contudo, elas podem seguir o sistema de pensamento do ego, que fomentará o sentimento de ódio e medo ou seguir o sistema de pensamento do Espírito Santo, que refletirá comunhão e amor. 


O que é mente?

A mente não é a mesma coisa que o cérebro.

O cérebro é a parte do corpo que reponde à mente.
Mas a mente está além do corpo. Ela cria todo o universo, que não passa de um grande sonho passageiro. 

Quando a mente se percebe unida a Deus, não há necessidade de sonho. Ela repousa na dimensão eterna e infinita do Pai. 

Quando a mente se percebe "separada" de Deus, passa a sonhar com um mundo, onde existem egos separados. Essa ideia de individualidade, portanto, também não passa de uma ilusão da mente. 

O foco do Curso não é em criar circunstâncias melhores para o ego, através do "poder da mente". Mas sim ajudar o Filho de Deus a relembrar sua unidade perfeita com o Pai.

Através da mente, escolheremos qual professor ouvir: o ego ou o Espírito Santo. O ego sempre tentará nos convencer de que devemos ter medo da falta. O Espírito Santo sempre nos acalmará, recordando nossa plenitude em Deus.

O que é especialismo?

Especialismo é a dinâmica onde nos vemos como especiais.
A chave aqui são os enredos onde nos sentimos sempre mais importantes.
Mais bonitos, mais amados, mais admiráveis, etc.
Pode ser, inclusive, mais tristes, mais ingênuos, mais prejudicados, etc.

O especialismo promove relacionamentos baseados em dois tipos de sentimentos opostos:

1) o amor especial
Acontece quando nossas expectativas de nos sentirmos especiais estão sendo preenchidas.

2) o ódio especial 
Acontece quando nossas expectativas de nos sentirmos especiais não estão sendo preenchidas.

O nascimento do ego, por natureza, é essa tentativa de se perceber protagonista, dando consistência ao senso de individualidade (portanto, ao senso de separação). Esse projeto está fadado ao sofrimento, porque o Filho de Deus não pode encontrar a plenitude que procura através de ilusões. Antes desse sonho, a mente unida a Deus não tinha nada para perceber, desfrutando da eternidade. Com a prática do perdão, o especialismo vai sendo substituído pela santidade. 

O que é pecado?

O pecado é uma ilusão. 

O Filho de Deus é para sempre inocente.
Mas, no processo de identificação com o ego, acabamos acreditando que os corpos sejam "reais".

O pecado nasce da ideia de que se possa causar algum tipo de dano. 
Na realidade de Deus, o dano é impossível.
Deus é inteiro e pleno eternamente. 

O "pecado" só pode acontecer num universo dual ilusório.
O Espírito Santo corrige essa crença equivocada, nos lembrando que esse universo é um sonho. Porém, isso não significa que, desconstruindo a ideia de pecado, nos tornemos cínicos ou cruéis. Pelo contrário: reconhecendo nossa total unidade com o outro, passamos a compreender que cada ser é também uma parte de nós. O perdão é despertar a lembrança dessa unidade. 

O que é ídolo?

Ídolo é o objeto que escolhemos para resgatar o sentimento de completude. 

Depois que o Filho de Deus parece separar-se do Pai, sente um vazio constante. Então, busca preencher esse vazio através dos ídolos: toda pessoa ou situação que aparente poder devolver a completude "perdida". Por exemplo, dinheiro, sucesso, status, sexo, viagens, drogas, relacionamentos, família, amigos, assim por diante. 

Entretanto, o ídolo não é capaz de nos completar de verdade. 
Aliás, acaba retroalimentando a dinâmica do ego do busques e não aches.

Esse sentimento de completude é reencontrado em Cristo.
Neste mundo, ele se manifesta através do gesto do perdão, através do qual abandonamos as ilusões e nos religamos a tudo que nos cerca, refletindo nossa total unidade com Deus.  

O que é ego?

O ego é o senso de "eu". 

Junto com ele nasce a sensação de individualidade. 
Em consequência, a luta para sobreviver (em vários planos: material, social, psicológico, etc). Ficamos sempre aprisionados num enredo de combate (explícito ou velado), baseado numa lógica de escassez. 

Ficamos tão apegados ao ego que passamos a acreditar que ele seja nossa identidade. Mas ele é apenas como um programa de computador dentro da nossa mente.

Tudo começa com a crença na separação. Passamos a acreditar que somos um ser diferente de Deus. Em seguida, todo esse engano vai ganhando consistência a ponto de nos esquecermos de nosso verdadeiro Ser. 

O ego não precisa ser melhorado ou extinto, porque é apenas mais uma ilusão. Com a prática do perdão, vai perdendo o valor em si mesmo até deixar de fazer sentido. Como uma criança que larga um brinquedo, simplesmente deixamos o ego para trás quando estivermos confortáveis o suficiente para a entrega total a Deus.

O que é relacionamento santo?

O curso utiliza dois conceitos opostos: 

1) relacionamento especial
2) relacionamento santo 

O relacionamento especial se baseia no ego. 
Tem esse nome porque lutamos para nos sentirmos especiais (privilegiados). Divide-se em amor especial e ódio especial (quando nossos interesses são satisfeitos ou frustrados, respectivamente). O fundamento desse relacionamento é o sentimento de falta. Buscamos preencher essa falta através de algo exterior. 

O relacionamento santo se baseia no Espírito Santo. 
Sempre traz à luz nossa própria escolha em ver todas as situações com os olhos de Cristo. O fundamento é o perdão. Cada encontro se torna o meio através do qual perdoamos o que ainda não foi perdoado no interior de nosso coração. Assumimos toda a responsabilidade pelo nosso modo de perceber as coisas, superando a dinâmica dual de vítima e vitimizador. Mais livre dos julgamentos, resgatamos a pureza de nosso Verdadeiro Ser. 

O que é santidade?

Santidade é viver o amor de Cristo neste mundo.

O ego ainda existe, porém se torna cada vez mais secundário. 
Há um abandono do julgamento e a prática constante do perdão leva ao sentimento de unidade com todos os seres. 

As ilusões são percebidas como ilusões, perdendo significado em si. O que importa, portanto, é ouvir a voz do Espírito Santo. Nasce o gosto pela partilha e pelo reconhecimento da semelhança. 

A santidade não nega as caraterísticas deste mundo, tampouco as dinâmicas do ego. Está longe de ser ingênua. Pelo contrário, observa a dualidade com lucidez gentil. Mas olha além e não se deixa enganar pelas aparências. 

A cada instante, desvela a centelha divina que está presente em tudo, apreciando espalhar beleza por onde passa. Torna-se, então, natural sentir amor. 

O que é revelação?

Revelação é o contato direto com Deus de modo não continuado
É uma experiência de amor total.
Um vislumbre do que é estar em unidade com Cristo. 

É diferente do milagre, onde o Espírito Santo usa nossa experiência no mundo a favor do despertar.

A revelação está além de qualquer símbolo: imagem, palavra, sonho, etc.
É um instante de fusão com Deus.

O que é conhecimento?

O curso utiliza dois conceitos opostos: percepção e conhecimento.

A percepção está sempre mudando. 
Abarca tudo que tem cor, forma, aparência (dimensão dual).

Já o conhecimento não muda.
Não tem cor, forma ou aparência (realidade una).
É a verdade além das ilusões.

A percepção gera pontos de vistas.
É a comunicação que estamos mais acostumados.
Por exemplo, as palavras e os sonhos.

O conhecimento é a totalidade.
Não se dá por meio de símbolos.
Surge do sentimento de comunhão com tudo.